Em 2011, o artista brasileiro Stephan Doitschinoff foi convidado pelo Centro em Movimento C.E.M de Lisboa, no contexto da 6ª edição do festival urbano Pedras d'Água, para uma intervenção artística no espaço público do bairro da Mouraria. Na sua primeira vinda a Lisboa, o artista, conhecido pelas suas obras influenciadas pela simbologia do místico e do sagrado, instalou « um templo a céu aberto », no cimo das escadinhas do Beco do Castelo.

A instalação, intitulada « Brilho do sol », era composta de dois murais representativa da iconografia de Stephan Doitschinoff. Para a ocasião deste projeto, o artista viajou até ao norte do país, a Trás-os-Montes, para investigar sobre a cultura local e o simbolismo religioso. A partir desta pesquisa, o artista elaborou uma performance com personagens mascaradas, encenando uma procissão, que serviu de apresentação dos murais realizados.

Hoje, um dos murais desapareceu totalmente. O outro, que representa uma figura feminina, está pouco a pouco a deteriorar-se. Para travar o processo e devolver o brilho à pintura de Doitschinoff que resta e que faz agora parte da identidade do bairro, decidimos renovar o mural e aplicar um meio de impermeabilização do suporte para garantir a sua perenidade. O restauro está previsto para outubro de 2016.

Nós acreditamos que a obra de Stephan Doitschinoff, o único exemplar de arte urbana do artista na Europa, faz agora parte do património artístico e cultural.   

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Sobre Stephan Doitschinoff

Nascido em 1977 a São Paulo (Brasil), Stephan Doitschinoff, conhecido como Calma, é um artista plástico autodidata. Como filho de um pastor evangelista, cresceu absorvendo os códigos visuais da arte religiosa, antes de integrar-se na cena do skate e punk de São Paulo. A sua obra explora a simbologia do profano e do místico para criar uma iconografia própria.

Inspirado pelas crenças e histórias dos moradores da cidade brasileira de Lençóis, onde morou entre 2005 e 2008, desenvolveu o projeto artístico « Temporal », com várias intervenções nas paredes das casas dos habitantes, pintando inclusive o interior duma capela. Essa experiência foi registada no documentário Temporal: The art of Stephan Doitschinoff.

Stephan Doitschinoff fez várias exposições no Brasil, Estados Unidos e Europa. Já expôs as suas obras no Museu de Arte de São Paulo (MASP), onde foi eleito artista Revelação pela Associação dos Críticos de Arte de São Paulo (APCA), em 2009.

Sobre o promotor: 

Somos um grupo de quatro moradores da Mouraria que convivem diariamente com o mural de Stephan Doitschinoff:

Armanda Vilar: designer gráfico
Alexandre Da Silva: designer gráfico
Carine Demoustier: pintora
Vincent Richeux: jornalista

Estamos preocupados com o estado do mural, que poderá desaparecer totalmente com as próximas chuvadas. Queremos conservar esta obra única para que todos continuem a usufruir dela.

Vamos fazer uso da experiência dos intervenientes nas artes visuais para proceder ao restauro, baseando-se em documentação que demonstra como foi realizado pelo próprio artista. 

O projeto é da nossa própria iniciativa com o conhecimento do artista.

Orçamento e prazos: 
  • 320€ - Tempo de trabalho para restauro. 
  • 140€ - Materiais de restauro. 
  • 35€ - Prémios (postais, tote bag e poster).
  • 5€ - Custos de comissão de 1% do boaboa  (IVA incluído).

Prazo previsto do restauro: duas semanas.

Imagens: