TransHumÂncia é um projeto artístico de criação em dança e performance, o qual roça o teatro e a ecologia. Nasce do encontro entre uma bailarina e um construtor, ecoando a experiência que tiveram  durante a criação colectiva "Mutirão". O duo emergente é uma história simples, intensa e directa, em que a dança e a construção, dum corpo-história e duma estrutura-abrigo, coevoluem ora juntas ora separadas. Revela-se assim a força do encontro, imprimindo nos corpos e no espaço uma atmosfera de transformação possível. O objectivo é o de criar um espectáculo que suscite nos artistas e nos espectadores a sensação da força da vida e do seu potencial de reconstrução permanente. O duo destina-se a pessoas de todas as idades, criando corpo na relação com o espaço em que se apresenta.

Com o que é que se cria e se (re)constrói o corpo? Com o que é que se cria e se (re)constrói uma casa-abrigo? O que fazemos para resistir a catástrofes? Qual é a força do corpo? Onde mora a dignidade?" Entre Junho e Julho vamos recolher sensações no Bairro do Intendente em Lisboa, mapear lugares e juntar restos provenientes das muitas obras em curso nos prédios desta zona (tijolo, madeira, terra). Ao material recolhido juntar-se-ão outros materiais necessários de origem natural. O todo fará parte do processo de construção corpo-abrigo-história. A pesquisa de campo anda a par e passo com a pesquisa de corpo que faz nascer a dança. O trabalho coreográfico e de encenação será o resultado do encontro entre as nossas histórias pessoais e fictícias (reconstruções...da pessoa e da casa-abrigo), a pesquisa de corpo e a atmosfera e materiais que formos encontrando no Bairro, actual cenário de acção de agentes imobiliários. Pretendemos assim sensibilizar as populações ao movimento de esvaziamento de casas e deslocamento de pessoas, e propor uma forma de sentir e transformar esta realidade através da arte. TransHumÂncia abre as portas deste processo  nómada 2 vezes, apresentando-se ao público gratuitamente entre os dias 19 e 22 de Julho, no âmbito do Festival BI - Bairro do Intendente em Festa, organizado pelo Largo Residências, em Lisboa. Para podermos chegar até aqui, começámos a fazer este caminho-construção há já algum tempo, entre França e Portugal. Recolhemos por agora o necessário para este primeiro contacto com o público. No entanto, e para podermos realizar esta fase do projecto de criação nas melhores condições, precisamos da tua ajuda!! Com ela poderemos não só remunerar de forma mais justa parte da equipa, como também adquirir os materiais e acessórios de que precisamos para montar o nosso espectáculo. Temos várias formas de agradecimento imaginadas e à espera de ser concretizadas de acordo com as tuas possibilidades. Até breve para partilharmos parte desta aventura humana!

Sobre o promotor: 

Somos uma pequena equipa de três pessoas. Dois artistas performers e criadores e uma encenadora.

Sara Jaleco, é investigadora e criadora, bailarina e bióloga especializada em educação somática pelo movimento, e dirige este projecto, co-criando junto de Etienne Gentil. Com uma abordagem artística do corpo que passa pela sua experiência dos encontros, intimamente ligada ao trânsito que vive há quase vinte anos entre França e Portugal, em TransHumÂncia Sara convoca a questão do acolhimento e do abrigo.

Etienne Gentil é mestre de obras em França com uma longa e complexa experiência em ecoconstrução em terra, madeira, pedra e palha. Recupera património público, concebe, elabora e concretiza projetos de construção numa abordagem de ecologia humana. Em TransHumÂncia Etienne materializa o seu pensamento sobre a nossa relação de respeito e vida para com as outras formas de matéria com as quais co-existimos. A dupla convida a bailarina, arquitecta e criadora, Yola Pinto, para acompanhar e assistir a encenação, o trabalho de corpo e a construção do espaço cénico, aprofundando uma relação com esta artista portuguesa, que há muitos anos actua no cenário da dança em Portugal.

Acreditamos que esta equipa reforça no nosso trajecto a relação da dança com questões ambientais e humanas, tão importantes hoje no cruzamento das artes com problemáticas de urgência. De facto, através de TransHumÂncia, os artistas accionam uma reflexão que consideram  urgente e fundamental, sobre a criação do corpo e do espaço em que vivemos e abrigamos as nossas histórias passadas e presentes de co-existência, num mundo mestiço que continua a esbarrar na dificuldade da coabitação.

Orçamento e prazos: 

TransHumÂncia vai apresentar-se duas vezes no âmbito do Festival BI em Festa, no Largo do Intendente em Lisboa, entre os dias 19 e 22 de Julho de 2018.

Já temos um apoio da estrutura organizadora e produtora do festival, Sou-Largo Residências, e da empresa de construção ecológica francesa Urb-I-Terre, num valor total de 4000 Euros. Com este apoio cobrimos :

  • cachê de apresentação dos artistas
  • cachê construtor
  • material de construção
  • custos de produção e divulgação

Precisamos de 2000 Euros para:

  • cachê encenadora
  • figurinos e outros acessórios cenográficos
  • captação e montagem de imagem

A obtenção deste valor vai permitir-nos remunerar toda a equipa de forma mais justa e equilibrada, assegurar a obtenção de todo o material cenográfico e acessórios, bem como registar o espectáculo para uma futura divulgação do mesmo junto de estruturas culturais portuguesas e estrangeiras.

Imagens: 

Comentários

Retrato de Maria Júlia Monteiro Jaleco1
11/07/2018 - 23:08

Um projecto que vale a pena apoiar - mas eu sou um bocadinho suspeita, vejam por vós...